terça-feira, 3 de agosto de 2010

Bilhete a um jovem físico

por Francisco Caruso*



Há muitos anos venho notando uma mudança significativa entre os alunos no meio universitário. É cada vez mais frequente ser procurado por estudantes que manifestam o interesse em “ter uma bolsa de iniciação científica”. Nestes casos, invariavelmente, minha resposta é lacônica, limitando-me a dizer que estou sem tempo para novas orientações.
Em algumas poucas ocasiões (poucas mesmo) fui interpelado para saber o que é uma iniciação científica e, assim, tive a oportunidade de tentar compreender melhor os anseios de certos jovens que desejam ser físicos. Entretanto, confesso que apenas um jovem calouro chamado Yuri Bomfim Martins me fez refletir mais seriamente sobre o que eu poderia e deveria lhe dizer que pudesse lhe ser efetivamente útil.
Lembrei-me, então, que entre 1903 e 1908, o grande poeta Rainer Maria Rilke escreveu uma série de cartas ao jovem Franz Kappus, respondendo às inquietações deste jovem que pretendia ser poeta. Tais cartas (apenas as respostas) foram publicadas postumamente, em 1929, e se tornaram um exemplo clássico de conselhos a um jovem que pretenda seguir uma determinada carreira. Eles têm o mérito de antecipar as armadilhas do cotidiano pessoal e de fugir a qualquer pretensão de apontar caminhos que possam ser vitoriosos a priori.
Tal foi a força das ponderações do poeta, que seu livro serviu – e serve até hoje – de motivação para tantos profissionais escreverem livros como Cartas a um jovem cientista, a um jovem psicanalista, a um jovem economista e assim por diante. Confesso que venho resistindo à tentação de ler estes outros textos, pois sempre desconfiei que alguns dos conselhos do próprio Rilke poderiam ser igualmente úteis a um jovem físico, por exemplo, e não gostaria de misturá-los, ainda que inconscientemente, com argumentos de outros autores. Mas em que sentido se justificaria aproveitar conselhos dados originalmente a um jovem poeta para um jovem físico? Bem, em primeiro lugar, podemos nos lembrar de Leonardo da Vinci para quem a Arte jamais significou um mero produto da imaginação subjetiva, mas sim uma atividade verdadeira e indispensável da própria compreensão da realidade. Em particular, a visão artística que Leonardo tinha da Natureza pode ser considerada como um ponto de transição metodologicamente necessário, como aponta Ernest Cassirer, que preparou o caminho para a abstração científica se inserir em uma nova percepção da Natureza a partir de Galileu. Arte e Ciências podem ser entendidas como representações distintas de uma mesma realidade. Além disto, acredito como Gaston Bachelard que há muito em comum no processo criativo tanto nas Artes quanto nas Ciências. Por último, Rilke foi capaz de identificar questões realmente basilares, comuns a todas as profissões. Dito isto, transcrevo a seguir o bilhete que enviei por email a Yuri Bomfim Martins, esperando que ele não se importe em tê-lo tornado público.



Prezado Yuri,


A primeira coisa que chama atenção lendo “Cartas a um jovem poeta” é a recorrência da palavra solidão e de outras com a mesma conotação, que aparecem nada mais, nada menos que 39 vezes em 10 cartas. Muito mais do que caminho para a depressão ou angústia, Rilke a aponta como instrumento indispensável de auto-conhecimento, de encontros. “O senhor olha para fora, e é isso sobretudo que não deveria fazer agora. Ninguém pode aconselhá-lo e ajudá-lo, ninguém”. Voltar-se para si mesmo é o único caminho. Neste ponto da carta, o poeta sugere que o jovem se pergunte se para ele é realmente preciso escrever. Faça isso você também com relação à Física. Pergunte-se se ela é indispensável para você. Se a resposta for afirmativa, construa sua vida pautada nesta necessidade. “Volte-se para a natureza”, diz o poeta, e o mesmo vale para o jovem físico: volte-se para a Physis. Além disto, a solidão é inerente ao processo criativo. Por mais que você discuta e aprenda com colegas e professores, é sozinho que você cria. Dentre todos, talvez esse seja o conselho maior: só você é capaz de descobrir se você precisa criar!

Por outro lado, há coisas mais palpáveis que vamos percebendo com a experiência, que, segundo Woody Allen, é aquilo que adquirimos quando não precisamos mais. Em sua formação, dedique-se durante o curso básico a aprender e admirar as técnicas experimentais, a dominar os métodos matemáticos da Física fazendo um grande números de exercícios e, sobretudo, leia, leia muito. Não apenas sobre sua disciplina. É na prática da leitura que encontrará os instrumentos para aguçar seu espírito crítico. Não deixe de lado a história e a filosofia. Um número expressivo de grandes cientistas tinham uma formação e preocupações humanistas, como Galileu, Schrödinger, Pauli, Einstein e outros. Resista o máximo possível à tentação de fazer iniciação científica antes do quinto período. Por mais atraente que possa parecer, isto lhe tomará tempo precioso de sua formação básica. Sem contar que muitas das vezes vejo o aluno fazendo um trabalho puramente mecânico, sem nenhum proveito real para sua formação.


Sabe Yuri, sempre acreditei na existência de um Zeitgeist, e, infelizmente, o atual não é favorável ao desenvolvimento científico, como posso lhe explicar em outra ocasião. Fazem parte dele, por exemplo, a exacerbada e equivocada valorização do “publish or perish”, do “H-factor”, do “citation index” do “JCR” e assim por diante. Procure resistir a este tipo de pressão calcada em frios indicadores, os quais, na verdade, não foram criados para os objetivos para os quais acabam sendo empregados por muitos de nossos pares. Dedique-se ao tema pelo qual você se apaixone e ao qual acredita que possa dar uma contribuição importante, independente de modismos. Como disse uma vez o italiano Icilio Guareschi, referindo-se ao grande Avogadro, “os grandes méritos de um homem não devem tanto ser medidos pelo valor intrínseco de sua obra, quanto pela influência que tiveram sobre seus contemporâneos e, sobretudo, sobre o futuro da Ciência”. Isto, meu querido Yuri, não é medido em números! Por outro lado, compartilho a visão de nosso saudoso Leite Lopes, que aliás era apaixonado pela poesia de Rilke e frequentemente emocionava-se recitando-a em alemão, quando ele afirmou que “um dia, esse clima de desconfiança e desestímulo vai desaparecer”. Daí você precisar ter plena consciência de suas motivações e de seu desejo de se dedicar a uma profissão para a qual o caminho inicial que você tem pela frente é bastante longo, pois será preciso fazer 4 anos de graduação, 2 ou 3 de mestrado e uns 4 de doutorado. Com sorte, terá ainda mais 2 ou 4 anos de pós-doutorado antes que possa disputar vagas nas instituições de ensino e pesquisa. Assim, sua motivação precisa ser quase inabalável. A vantagem, como disse o próprio Rilke, é que “O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo”... “Alegre-se com seu crescimento, para o qual não pode levar ninguém junto...”.

Meu caro, a tentação de continuar escrevendo é grande, mas isto transformaria a proposta inicial de um bilhete em outra coisa. Quem sabe não continuamos a conversa pessoalmente em outra ocasião? Gostaria, portanto, de encerrar com algumas palavras que Rilke teve o cuidado de inserir em uma de suas cartas: “Se ainda posso acrescentar algo, é o seguinte: não acredite que quem procura consolá-lo vive sem esforço, em meio às palavras simples e tranquilas que às vezes lhe fazem bem. A vida dele tem muita labuta e muita tristeza e permanece muito atrás dessas coisas. Se fosse de outra maneira, nunca teria encontrado aquelas palavras”. Um forte abraço,


Caruso.




* Francisco Caruso é Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Pesquisador Titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

33 comentários:

  1. Prezado amigo Caruso,

    Impressionante como a vida imita a arte. O brilhante texto que você produziu nos chama a atenção para o que mais tem conduzido hodiernamente a pesquisa e a busca pelo saber, não apenas no Brasil, mas no mundo: os números estatísticos.

    Tudo hoje se resume a frases do tipo “quantas páginas” possui um Lattes, “quantos artigos” escreveu, em “quantas revistas” de “qualis A, B, Z”, etc., etc..

    Os marcadores de qualidade e de utilidade social foram deixados de lado, o prazer pela pesquisa não é cogitado, em prol de uma medição numérica que serve de filtro, na verdade, para os que podem e os que não podem estar no meio acadêmico enquanto investigadores, ou pesquisadores, como dizem meus amigos portugueses. Um filtro das elites.

    Claro que a necessidade de dinheiro para se manter, em um país ainda tão parco de recursos, ajuda a provocar distorções entre os estudantes. Hoje, contudo, reconheço que seus conselhos eram precisos e úteis. Pois, na década de noventa, você já os repetia na minha sala de aula... bons tempos...

    Muito bom, forte abraço,

    Adílio Jorge.

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  2. Sou a mais suspeita das criaturas para comentar um texto seu!
    Ser sua mulher não faz de mim menos admiradora de seus textos, sempre primorosos, bem escritos, pertinentes e gostosos de ler. E ainda mencionando Rilke e Bachelard, duas entre as muitas paixões que compartilhamos, só torna maior ainda meu deleite.
    Grande beijo e parabéns pelo texto!!!

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  3. Caro Francisco Caruso,

    Parabéns pelo texto. Os alunos de hoje são produto da sociedade atual; a cada ano tornam-se mais superficiais e imediatistas. Talvez porque a sociedade cobre isso deles, talvez porque não são estimulados a serem diferentes.

    Grande abraço,

    Paulo Quintairos

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  4. professor
    lamento se muitos estudantes procurem no em busca de uma bolsa de IC . Tenha certeza isso nao ocorre por um pragmatismo intriseco , mas por um pragmatismo induzido , lamentavelmente uma bolsa de IC e a unica forma de muitos estudantes permanecerem na Universidade. Portanto peco ao senhor que seja mais receptivo das proximas vezes. Pois muitas vezes comer e preciso

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  5. Carlos Alberto Gianotti4 de agosto de 2010 08:37

    Caruso, meu caro, gostaria de destacar dois pontos essenciais que julguei particularmente importantes nesse teu bilhete ao jovem cientista, diga-se, um texto singular.
    Vemos que tuas considerações para Yuri partem de uma obra literária, emergem de R. M. Rilke. Ora, isso nos mostra o cientista Caruso que não esteve atrelado, como muitos, exclusivamente à ciência que professa, mas colocou seu olho em outros planos, como na literatura. Então, quando recomendas ao jovem cientista que dedique seu tempo à leitura de obras de todos os campos dos saberes – porque isso também será essencial ao seu “pensar científico”, à sua visão crítica, e lhe dará condições de estabelecer relações – estás tu mesmo mostrando uma relação entre o fazer científico e o mote da narrativa literária (Rilke). Enfim, quanto a isso, a leitura abre o campo para que se estabeleçam relações entre os saberes.
    Em segundo lugar – e aqui vem a consideração de um editor –, saliento o aspecto do “publicar ou perecer”. Ainda ontem ouvi o comentário de um amigo, citando um professor universitário paulista, que o pesquisador acadêmico institucionalizado vive hoje da “produção da produtividade”, quer dizer, produção científica representada absurdamente por produzir “qualquer coisa” com vistas apenas à tal produtividade. Desembocando sempre no publicar a produtividade.
    Eu disse ao início que teria duas considerações a fazer sobre o bilhete. Teria mais? Sim, pelo menos sobre a solidão, a doce companheira solidão. Mas fico por aqui.
    Abraço do
    Carlos Alberto Gianotti, Porto Alegre.

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  6. Caruso, meu caro, gostaria de destacar dois pontos essenciais que julguei particularmente importantes nesse teu bilhete ao jovem cientista, diga-se, um texto singular.
    Vemos que tuas considerações para Yuri partem de uma obra literária, emergem de R. M. Rilke. Ora, isso nos mostra o cientista Caruso que não esteve atrelado, como muitos, exclusivamente à ciência que professa, mas colocou seu olho em outros planos, como na literatura. Então, quando recomendas ao jovem cientista que dedique seu tempo à leitura de obras de todos os campos dos saberes – porque isso também será essencial ao seu “pensar científico”, à sua visão crítica, e lhe dará condições de estabelecer relações – estás tu mesmo mostrando uma relação entre o fazer científico e o mote da narrativa literária (Rilke). Enfim, quanto a isso, a leitura abre o campo para que se estabeleçam relações entre os saberes.
    Em segundo lugar – e aqui vem a consideração de um editor –, saliento o aspecto do “publicar ou perecer”. Ainda ontem ouvi o comentário de um amigo, citando um professor universitário paulista, que o pesquisador acadêmico institucionalizado vive hoje da “produção da produtividade”, quer dizer, produção científica representada absurdamente por produzir “qualquer coisa” com vistas apenas à tal produtividade. Desembocando sempre no publicar a produtividade.
    Eu disse ao início que teria duas considerações a fazer sobre o bilhete. Teria mais? Sim, pelo menos sobre a solidão, a doce companheira solidão. Mas fico por aqui.
    Abraço do
    Carlos Alberto Gianotti, Porto Alegre.

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  7. O conselho é resumido no seguinte: Faça Física com amor e não espere enriquecer.
    Um abraço amigo do
    Bassalo

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  8. O professor esquece que a grande maioria dos estudantes de Física no Brasil advém das famílias de baixa renda, muitos inclusive tiveram péssima formação na educação básica, sendo a bolsa de iniciação científica fundamental para um suporte financeiro para a manutenção das atividades acadêmicas. É claro que as etapas básicas da formação de um cientista podem ser feitas sem uma bolsa e qualquer um pode aprender programação, matemática ou técnicas experimentais "se virando sozinho".
    Mas o programa se chama INICIAÇÃO científica. Ninguém espera que um aluno comum da graduação vá publicar na Physical Review Letters.
    É preciso ser menos romântico e mais realista se se quiser desenvolver os jovens cientistas do país.
    Como estudante de Física cansei de ver bons alunos desmotivados com as perspectivas profissionais e largarem o curso por concursos públicos de nível médio, mudarem para licenciatura, já no mestrado fazerem concursos fora da área Física, etc...
    E por mais que no mundo idealizado só sejam desejados os alunos mais abnegados a verdade é que se apenas esses estivessem nos centros de pesquisas nacionais mal se encheria o auditório do CBPF. E enquanto isso a pesquisa científica ficaria a carga dos "mercenários", "papa editais".

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  9. Meu Caro Amigo,

    Este texto, mais do que as reflexões e os conselhos que estão lá implícitos, deveria nortear não só carreira acadêmica, mas também o padrão ético de todo estudante que ali pleiteia uma colocação. Estamos diante de uma realidade, em que não importam os valores éticos, o ideal em fazer ciência e a formação de valores sólidos adquiridos pelo trabalho em grupo, e o que vemos são estudantes com a mesma mentalidade "capitalista", em busca de números, números e mais números, mais algumas linhas no Lattes ou um fator de impacto maior em seus artigos publicados. O resultado por esta busca aviltante de resultados são "especialistas" em computação na tal da HEP, técnicos extremamentes capacitados como se tivessem sido produzidos pela Revolução Industrial em tantas outras áreas como a Matéria Condensada, a Física Aplicada e fazedores de cálculos exímios em Teoria de Campos e tantas outras...e nisso, se esquece a raiz epistemológica, a literatura, a história da ciência - fatores que um apaixonado pela física, que dedicou seus 10 anos (no mínimo) de estudo na Física jamais esqueceria. Que este texto, possa nortear com sabedoria, todos aqueles estudantes que se proponham ao menos a ler (e isto até hoje está difícil!) esta bela reflexão do Físico-Humanista-Pensador Caruso. Quanto ao comentário "Anônimo" postado algumas linhas acima, só é possível explanar ao jovem aprendiz de cientista que em todas áreas, qualquer ganho financeiro (inclusive uma bolsa de IC) deve ser encarada como um reconhecimento do trabalho e não um fim imediato. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma. E como sugeriu o jovem...se comer é preciso, sonhar, produzir e realizar também. Um conselho...tal como está escrito na carta de Laudicéia é que é preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio.. O escândalo, ao vazio. Existem grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Então ao jovem que sugeriu a bolsa de IC em troca de comida...faça por onde...colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido tendo consciência de que cada homem foi feito para fazer história e fazendo história o reconhecimento será muito maior que uma bolsa de Iniciação Científica e escambo por um prato de comida. Mais uma vez, Parabéns ao amigo Caruso pela temática acertadamente abordada e pela oportunidade de discutir e refletir acerca do assunto de tamanha relevância. Grande abraço, do amigo Fabio Antonio.

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  10. Acho q o amigo Fabio Antonio nao compreedeu o que foi escrito .
    Falo de pragmatismo induzido . Indizido pela necessidade de permanencia,de manutencao do sonho , as vezes sem esta bolsa, o fazer, errar, falhar e lutar ficam inviabilizados! NAo estou falando de reconehcimento; apenas de subsistencia! Por isso peco para que os professores revejam seus conceitos neste sentido

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  11. Tiago Monteiro Cardoso5 de agosto de 2010 01:35

    Meu caro professor,

    Senti uma natural melancolia neste seu texto. Não é para menos: ao mesmo tempo que trata em primeiro plano das condições interiores que toda vocação requer, o bilhete deixa transparecer - em segundo plano, mas não com menos urgência - a questão que a todos nos aflige: a situação da universidade brasileira.

    De fato, se o aprender é o mais íntimo, o mais solitário dos atos, a solidão não é por isso mesmo algo intrinsecamente desejável. A ciência necessita de trocas; as próprias universidades foram originalmente fundadas visando a cooperação entre seus membros.

    Esse desconforto permanece. Como fazer ciência apaixonadamente e ao mesmo tempo servir a uma burocracia monstruosa? Como falar de espírito crítico a alguém que quer "arrumar um carguinho público"? Para esse problema você não dá solução (ainda não apareceu quem tenha dado), mas dá o necessário passo na direção da mesma: um testemunho comovente e, antes de tudo, sincero.

    É mais do que se pode esperar da imensa maioria de professores e estudantes do que quer que seja.

    Abraço,
    Tiago.

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  12. Pois é, a vida está dificil para os cientistas-artesãos-artistas. Na ultima SBPC vi, pela primeira vez, a sigla T&C, ou Tecnologia e Ciência...
    Eu já estava meio incomodado com a sigla C&T&I.
    Parece que vivemos ainda na era Dunga da ciência no Brasil, ou seja, o futebol/ciencia de resultados. Nao aprendemos nada com a ultima copa do mundo... ou com o fato de não termos a menor chance de ganhar um Nobel de Física.

    Apenas discordo do Caruso quanto à critica aos novos indicadores bibliográficos. Eles são (e visam) capturar os aspectos qualitativos da producao cientifica, nao os quantitativos. O indice h é mais como um expoente critico: embora seja um numero, é um numero qualitatico...rs

    Por exemplo, estou prestes a publicar o indice de Garfield-Hirsch (antigo índice K). Um pesquisador tem indice K se ele foi citado por K artigos, onde cada um deles tem pelo menos K citacoes.

    O El Naschie, primo exemplo de fraude produtivista, tem mais de N=500 papers, mais de C=6000 citacoes, editor de revista etc. No Brasil, ele seria 1A do CNPq. Mas seu indice h nao é tao alto (h=35), seu indice h normalizado por numero de papers é irrisório (h/N). E seu indice K é menor que todos os meus colegas da física estatistica aqui de Ribeirao Preto.

    Entao, acho que nao deveriamos confundir romantismo cientifico com ausencia de indices. Se seguindo os conselhos de Caruso, o Iuri obter após 30 anos de carreira os indices N=1, C=1, h=1 etc como é o caso de um professor livre docente aqui do meu departamento, eu acho que Caruso nao ia ficar feliz...

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  13. Marcos Torrecilha5 de agosto de 2010 09:31

    Caro Caruso
    Gostei muito do texto. Como você sabe, eu sou um dos remadores contra essa maré atual, batalhando junto a esses jovens com a disciplina que ministro no CAP-UERJ desde 2007 (leituras em física a partir do pensamento filosófico), discutindo as idéias dos pré-socráticos, de Aristóteles e outros mais. Mas digo que é difícil fazer com que leiam... mas a gente tenta. Abraço. Marcos

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  14. Oi Caruso,
    O Bilhete está genial. Muito muito bom. Acho que você poderia escrever um livro sim sobre o assunto no ritmo e com o nome de Bilhete. "O bilhete que virou carta e a carta que virou livro" . Acho que vale a pena você mandar para muita gente.
    Abraços,
    Santoro

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  15. Mirian de Carvalho5 de agosto de 2010 15:41

    Querido amigo Caruso,

    Foi uma enorme alegria ler seu Bilhete e ter trabalhado com você na Revista Dialoghi e nas Tirinhas. Refiro-me à alegria porque vejo no
    seu trabalho um aguçado e raro pensamento crítico, e até mesmo divergente, ao fazer sempre uma aproximação entre Ciência e Arte. E, em adendo à sua observação relativa à Ciência e à Arte como representações diversas da mesma realidade, eu diria que, além de representações, elas são leituras capazes de mudar a realidade e o mundo. Por isso quero parabenizá-lo pela visão crítica do ensino e das avaliações meramente quantitativas, bem como por perceber que o
    cientista e o artista são “trabalhadores” que podem contrariar as normas da repetição e dos modelos pré-estabelecidos.

    Grande abraço,
    Mirian

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  16. Gostaria, em um primeiro momento, de responder apenas aos comentários do "Anônimo", pois eles remetem à questão da sobrevivência. Em primeiro lugar, entendo perfeitamente seu ponto de vista e conheço muito de perto a realidade dos alunos brasileiros, há mais de 30 anos. Portanto, não sou (nem poderia ser, é claro) contra a bolsa de Iniciação Científica. Meu alerta vai no sentido de que o jovem estabeleça prioridades em sua vida. Todas as injustiças sociais neste país, toda a omissão do Estado e dos Governos com relação à educação básica devem ser discutidas largamente pela sociedade organizada. Entretanto, do ponto de vista intelectual, não posso nunca aconselhar alguém a fazer a escolha de apenas "sobreviver". Isso é muito pouco, a menos que estejamos considerando períodos de guerras. O meu desejo é que as pessoas que entrem para fazer Física queiram "viver" fazendo ciência. E neste viver incluo, como disse o Anônimo, o fazer, o errar (o que seria da Ciência sem o erro!) e, sobretudo, a capacidade de sonhar. Que fique claro, portanto, que acho importantíssimo que os estudantes façam iniciação científica, mas não para "sobreviver". Façam com a convicção de que o único meio de aprender a fazer ciência, estando próximo ao seu orientador, vendo de perto a multiplicidade de coisas e práticas envolvidas no fazer científico. E diria ainda que essa escolha é muito importante, pois pode determinar o sucesso ou o fracasso. Mas, insisto, tudo isso sem prezuíjo de sua formação básica geral! Ao contrário do que você disse, meu caro Anônimo, é preciso ser ainda "mais romântico", pois o realismo ao qual se refere, como você próprio testemunhou, já lhe permitiu ver várias pessoas desistirem de sua profissão, ou irem dar aula ou simplesmente arranjar um emprego, como disse acima o Thiago. Espero ter esclarecido um pouco mais o meu ponto. Um grande abraço, Caruso

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  17. Susana de Souza Barros7 de agosto de 2010 12:50

    Chico,

    Gostei muito e concordo com você e Rilke. Te dou parabéns pela ideia de colocar no papel virtual.

    Falo isso com meus alunos sempre, mas eles têm dificuldade de entender o que a gente diz... certamente falamos linguagens diferentes deles. Mas essa necessidade de independência intelectual é algo que temos que trabalhar o tempo todo; eles se habituaram à cultura do ´copy and paste´ e acham frequentemente que o visual é o que importa.

    O problema do indivíduo que não tem paciência de investir no seu potencial de ´autodidatismo´ e usar sua capacidade metacognitiva leva às dificuldades que enfrentamos. Mas temos que usar a paciência e insistir, já que a gota fura a pedra.

    A tua menção ao Leite foi muito boa. Me parece que ele aprendeu alemão para ler Rilke...

    Um abraço e até, Susana

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  18. Tornei-me um pouco maior depois destas palavras...

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  19. Meu caro Caruso,
    É sempre um prazer receber mensagens suas.
    Gostei muito do “Bilhete” que você enviou ao jovem físico Yuri Bomfim Martins, no qual você toca em pontos importantes. É muito bom para jovens profissionais de modo geral, não somente jovens físicos, receberem mensagens como a sua, com importantes conselhos.
    Dois conselhos que você deixa transparecer são: para produzir é preciso trabalhar muito, e o trabalho tem de ser aprofundado. O grande escritor italiano Erri de Luca costumava dizer e escrever que era um “operário” que faz todos os dias seus trabalhos de rotina. Perguntaram uma vez ao famoso inventor americano Thomas Edison como podia ele produzir tanto. Respondeu: “pouca inspiração, muita transpiração”. Alguns cientistas, quando perguntados sobre os aspectos agradáveis e os desagradáveis de seus trabalhos confessam que um aspecto que pode ser desagradável é que têm de trabalhar muito. O famoso Darwin, quando idoso e doente, trabalhava regularmente quatro horas por dia todos os dias ( em suas excursões pelo mundo, ele pegou a doença de Chagas, que naquela época não era conhecida; depois de sua morte os especialistas identificaram os sintomas como sendo dessa doença ).
    Você mostrou que é importante aprofundar o trabalho, e não se limitar a considerações gerais. Para citar mais um personagem importante, o psicólogo suíço Piaget era extremamente critico com as pessoas que fazem “filosofia da ciência”, e dizia: a diferença entre um filósofo de ciência e um cientista é que o filósofo faz pouco sobre muitas coisas e o cientista faz muito sobre poucas coisas.
    Um jovem físico precisa conhecer muito bem os fundamentos da física clássica. Tive a oportunidade de conhecer jovens físicos que queriam dedicar-se à relatividade geral antes de conhecer a física clássica. Perderam tempo, porque o grave no caso dessas pessoas é que elas dificilmente aceitam conselhos.
    Caro Caruso, seus escritos são interessantes e agradáveis de serem lidos, porque você escreve bem. Continue escrevendo e divulgando o que escreve.
    Com meus parabéns,
    grandes abraços,
    Salmeron

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  20. Sergio Mascarenhas11 de agosto de 2010 17:22

    Oi Caruso: emocionante seu bilhete! Em Trieste existe uma escada de Rilke mirando o adriático e eu sempre ia lá cismar e sonhar que estava em conversa com ele!! Que coincidência. Perto do lugar um Castelo de triste memória onde
    Boltzman se suicidou onde também estive (Duino) em compania do Grande Salam!
    Por outra coincidência há coisa de um mês li e relí o Livro carta a um jovem médico do
    Adib Jatene e até pensei em escrever algo semelhante aí vem seu espetacular bilhete!
    Porque não fazemos então estilo Sócrates/Platao diálogo para jovens por dois físicos maduros ou algo assim? Pela rede seria fácil! E divertido você não acha?
    ABREIJOS, Sergio Mascarenhas

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  21. Caríssimo Mascarenhas,

    adorei seu comentário. O desafio de fazermos juntos outros diálogos para os jovens já está aceito de cara. Será um grande prazer e uma honra fazer algo com você para essa juventude que está aí.
    Abreijos,
    Caruso

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  22. Gostaria de agradecer muito a todos que contribuiram aumentando este bilhete. Sinto-me honrado pelos comentários de amigos e colegas, em especial de pessoas que respeito muito intelectualmente, como os Profs. Roberto Salmeron, Sergio Mascarenhas, Alberto Santoro e José M.F. Bassalo, e tenho muita admiração por tudo que fizeram pelo desenvolvimento da Física no Brasil. Não posso deixar ainda de agradecer à Dayse Lima pelo convite para refletir sobre o tema e escrever este bilhete. Às vezes é bom escrever sob encomenda. Abraços a todos, Caruso

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  23. Gostei muito, Caruso, do texto. Ficou excelente
    e com um índice de verdade e intensidade muito sutis e por isso mesmo fortes, pq apoiados em uma vivência muito séria.

    Você tem o meu livrinho ficcções de um gabinete ocidental?

    Tenho um aparte dedicada à matematica. Se puder, me mande seu endereço físico.

    Forte abraço, Marco

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  24. José Israel Vargas16 de agosto de 2010 09:35

    Querido Caruso,
    Obrigado pela mensagem. Sua leitura trouxe à mente Santo Agostinho: "Veritas est in interiore homine"... E também Jacob Bronowsky: A ciência trata do que é, da descoberta e descrição dos invariantes de comportamento da natureza. As artes, todas elas, "do que poderia ter sido".
    Gostei da referência à solidão e, acrescentaria do silêncio, cada vez mais raro entre nós. Influência mexicana... Os mariaches?
    Penso que o Bronowsky ajudaria ao jovem amigo. Afinal descobrir invariantes de comportamento na grande máquina do mundo, de que fala nosso Camões, pode ser indício de diagnóstico de possível motivação para a iniciação científica, em física.
    Conversei muitas vezes com o Leite sobre o Rilke, suas elegias do Duino. Duino é o Castelo de Duino em Trieste, onde estive. Não sei se sabe que lá morreu, suicidou-se, o grande Ludwig Boltzman, desesperado com o combate que lhe moviam os energeticistas, negadores do atomismo...
    Abraços do
    Vargas

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  25. Caro Caruso
    O "bilhete a um jovem físico" nos faz muito pensar. Fala sobre verdades que muitos que trabalham com a ciência gardam ocultas em suas consciências, sem jamais externá-las, pois poderia "pegar mal" junto aos pares...
    Grande abraço,
    Mauro

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  26. Boa noite professor. O bilhete que o senhor escreveu me fez refletir e emocionou.
    Sempre fui um camarada que acreditou em fazer as coisas com intensidade, com o coração, com o verdadeiro amor.
    Hoje fui ministrar um projeto uerj la no pré da uerj mesmo. O senhor sabe que é um pré vestibular comunitário, que já dou aula faz 11 anos. E já ministrei aula em pelo menos 3 comunitários ao londo desses anos. Em todos eles o que ganho é satisfação. Nunca pensei em grana, sempre vivi da minha arte de viver. E o que me afastou da física, da comunidade científica, foi a falta de sentimento e romantismo dos cientistas que tive contato. Pareciam que nem sabiam a verdadeira missão da ciência. Lembro-me de discutir com um professor em uma das aulas da graduação, quando disse a ele que ciência se faz com amor, com desejo, com vontade de mudança, com responsabilidade social e ele me tratou como se eu fosse estupido.
    Creio que um cientista sem visão social não é um cientista completo.Tenho muita mágoa dessa época, mas isso me fez mais forte hoje. Hoje com meus livros de física estão clássicos da história, da filosofia, da literatura e politica e não me arrependo de ter lido boa parte deles durante a graduação. Resolvi voltar para fazer o bacharelado pois sinto que tenho muito a contribuir. Sei que o senhor sabe o que sinto. E com minha volta notei que a renovação infelizmente está garantida, conheci alunos ótimos, boas pessoas, mas muitos completamente perdidos, sem a minima noção da verdadeira missão.
    Obrigado por me ajudar mais uma vez.

    Forte abraço,
    Rodrigo Morais

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  27. Só hoje li, com atenção teu texto. Belos conselhos para poetas de todas as físicas, para as matemáticas dos versos, para jovens e velhos sonhadores. Espanto-me ainda, com o que se pode fazer com tão poucos números e letras e vazios. Obrigado. Podíamos por um link no site do HCTE se concordares.
    Carinho
    Ricardo

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  28. Pedro Henrique Aragão20 de agosto de 2010 21:49

    Caruso,

    Boa noite! Tudo bem com você?
    Ocorrem coisas na Natureza que não entendo mesmo. Explico melhor.
    Na aula de Mecânica Clássica que ministrei esta manhã, em certo momento, um estudante me perguntou: “professor como o Senhor pode achar essas coisas bonitas?” Essas coisas, era um problema levando-se em conta a resistência do ar. Neste momento lembrei-me das aulas maravilhosas que tive principalmente com o Jader, Leite Lopes e o Pierre Luci, pois, além de física falavam de história, filosofia e até sociologia no caso do Leite. Esses professores, marcaram de alguma forma a maneira como eu
    gostaria de ministrar minhas aulas. O mais curioso, indiquei aos estudantes a leitura de um livro, que meu pai me presenteou, traduzido
    pela Cecília Meireles “Carta a um jovem poeta”, pois não me recordava quem era o autor. Assim, após a leitura de algumas partes do livro, quem sabe, vocês, da mesma forma que apreciam uma partida de futebol bem jogado, de música, inclusive as sertanejas, nada contra, uma obra de arte, etc., acredito que “Carta a um jovem poeta” os fará também apreciar a linguagem
    matemática que a física faz uso para descrevermos a natureza. Ou, quem
    sabe? Será o momento de cair na realidade e verificar que nada disso tem haver com vocês!
    Quando cheguei em casa fui procurar o livro, para levar na segunda feira para os alunos, pelo menos para verem a capa, lembrei-me que era do Rainer Maria Rilke.
    O problema, Caruso, é que esses meninos não têm o hábito da leitura. Nessa turma, terceiro ano do curso de Física, por exemplo, o último livro que os alunos leram, foram os indicados para o vestibular, três a quatro anos atrás. Como faço a pergunta todo início de semestre, qual o último livro que vocês leram? Não acho mais estranho. Isto vem acontecendo há alguns
    anos. Quando comparo o sistema de ensino no Brasil, fundamental e médio, com os das minhas sobrinhas francesas, tem uma diferença absurda. Por exemplo, Marion, que está no equivalente ao segundo ano do ensino médio lê em média dois livros por mês! Isto como atividade escolar!
    O livro do “Surely you’re joking, Mr. Feynman!” escrito em 1963, acha?, vejo que pouca coisa mudou em termos de educação no Brasil.
    Gostaria de saber se poderei levar o seu e-mail para que meus alunos o lessem na segunda feira.
    Bem até mais.
    Um grande abraço do
    Pedro

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  29. Flaubert perguntado sobre Bovary foi categórico: Bovary c'est moi! Mas o que perguntar ao Mestre Caruso? Figura carismática, Amigo Impar, distingue-se pela sua competência, educação e excelente trato com os alunos. Mais uma vez Caruso “brilha”. Seus livros, ensaios, artigos - sempre comentados - são o que se tem feito de melhor pela Física nestes últimos anos. Assim como Rilke, a quem recorreu, Caruso é a voz de uma época em transição. Talvez seja a última voz do seu tempo, aquela que anunciou o "fim da Física fria e isolada" e ao mesmo tempo a primeira voz e o primeiro Físico dessa nova era que estamos começando a viver, ou seja, desta era em que as ciências exatas se entrelaçam com as ciências humanas. De seus artigos saltam uma compreensão e preocupação com a Erfahrung (experiência) e a Erlebnis (vivência) de seus alunos. Mas quem seria Yuri? Já vejo o Mestre abrindo aquele seu sorriso singular respondendo:
    Yuri c'est moi

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  30. Muito bom Caruso. Não só para os estudantes mas para todos cujos narizes tocam as interfaces desse problema por uma via ou por outra. Abraços do Alfredo

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  31. Muito obrigada, professor!

    Tanto o bilhete quanto os comentários me fizeram lembrar de algumas coisas sobre as quais já pensei, fez com que pensasse em mais outras, e me animou a continuar com as tentativas de retomar hábitos como o da leitura.

    Gostaria se conseguisse escrever tudo que se passou enquanto lia o texto, mas os pensamentos apareciam aos montes!

    A rotina na universidade às vezes me deixa meio perdida, por me ocupar tanto que acabo me afastando do que, originalmente, me instigou a fazer o curso de Física: a curiosidade pelo que existe e pelo que acontece no Universo... Embora ainda me acompanhe, não procuro mais investigar muito sobre as perguntas que surgem. Sinto falta disso.

    Vejo muitas pessoas procurando a famosa Iniciação Científica, outras já com seus orientadores. Chego a me sentir pressionada a conseguir logo uma bolsa, mas resisto. Não quero um "trabalho puramente mecânico", e acho essencial a dedicação à formação básica, acho que posso melhorar muito antes de ter uma atividade de IC, e assim poder contribuir como desejo.

    Com o pouco de experiência que tenho, consigo enxergar que o esforço realmente é grande para quem quer se voltar para a Physis. Quando tiro um tempo para mim, às vezes falta ânimo para me dedicar a outras coisas que gosto de fazer e de estudar, como a música, a leitura, o socialismo..
    No ensino médio, lia pelo menos um livro por mês. Depois, me vi espantada por não ter conseguido ler sequer um livro todo, em meses!

    Hoje vou continuar lendo esse mesmo livro xD

    Abraço,
    Natália

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  32. Muito obrigado a você, Natália. Fico contente que o texto tenha lhe feito pensar tantas coisas e refletir sobre sua prática na Universidade.
    Se quiser, voltamos a conversar sobre isso pessoalmente na Uerj.
    Abraço,
    Caruso

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  33. Gostei muitíssimo do post, principalmente por toda a rica discussão que suscitou. Foi através dos comentários que conheci o blog do Osame Kinouchi (http://semciencia.haaan.com), que estou seguindo e recomendo abertamente.
    Até então, não sabia quem era Rilke, mas muito me identifiquei com as citações e argumentos apresentados. Pretendo lê-lo. Entretanto, conheço e li o livro "Cartas a um jovem cientista" de Gleiser, sobre o qual inclusive escrevi uma crítica (em http://euebotoes.blogspot.com). Também o recomendo.
    Sobre os comentários do tal "anônimo", digo que o compreendo, e julgo que ele foi mal interpretado. Não vi qualquer menção a ganhar bolsa sem que haja trabalho. Não, isso não foi dito. Entendo perfeitamente que ela possa ser importante, pois sua existência é importante para minha manutenção. Seria mesmo um problema caso ela não existisse.
    Acredito que o comentário tenha sido no sentido de, caso haja bolsas disponíveis, de arranjar-lhes um dono, eles também podem trabalhar por ela. Isso porque sei de alunos que, certos dias, não vão à faculdade por não terem o dinheiro suficiente para a passagem. Nesse caso, o argumento do prof Caruso fica invalidado: "Resista o máximo possível à tentação de fazer iniciação científica antes do quinto período [...] isto lhe tomará tempo precioso de sua formação básica". De forma que me solidarizo com o colega.
    Voltando ao bilhete, achei-o muito assertivo. Penso que o professor soube colocar os argumentos certos para o momento certo. Isso porque imagino que para cada época da formação do aluno as crises serão diferentes. E o pensar sobre ser ou não a física o caminho certo e ter a noção sobre a importância da escolha que se faz, são reflexões necessárias.
    Por último, parabenizo o professor por partilhar seus escritos e pela qualidade do que produz.
    Rodrigo

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