quarta-feira, 30 de junho de 2010

Física Moderna na sala de aula: sonho ou uma realidade viável?

por Francisco Caruso*

Muito se tem falado sobre a necessidade de se ensinar Física Moderna antes da graduação e muitos têm questionado sua viabilidade. Para os mais incrédulos eu diria, para começar, que obviamente isto é possível. Basta lembrar o que aconteceu historicamente: os ensinamentos de Galileu e de Newton, só para citar dois dos mais conhecidos, já foram parte integrante de uma Física de fronteira e hoje são ensinados sem obstáculos no ensino médio. É claro que já houve época na qual a contribuição científica destes autores ficou fora da escola por motivos ideológicos, pois conflitavam com a Física aristotélica, abraçada como dogma pela Igreja Católica. Superado este tipo de problema, entretanto, qual ou quais os empecilhos?


O primeiro movimento de mudança já está em curso no Brasil: há vários grupos elaborando propostas de ensino de certos conceitos de Física Moderna, mas, na maioria das vezes, de forma pontual. Neste processo, revistas como a Revista Brasileira de Ensino de Física e o Caderno Brasileiro de Ensino de Física desempenham importante papel. No entanto, a absorção real das propostas divulgadas em artigos é muito lenta e acaba tendo influência muito localizada. 
  Laser: exemplo de aplicação da física moderna

Outra tendência louvável neste sentido são os cursos de especialização e mestrados profissionalizantes voltados para docentes do ensino médio e do fundamental. Entretanto, em minha opinião, falta um movimento institucional mais amplo voltado para uma radical reformulação das licenciaturas em Física. Gostaria de ver uma revalorização do conteúdo comprometida com o fato de ser a Física uma ciência experimental, ao mesmo tempo em que se pensa em novos conteúdos e novas formas de transmitir o conhecimento científico. Gostaria de ver um novo professor que durante toda a sua formação universitária se preocupou e refletiu sobre como ensinar (inclusive a Física Moderna). Talvez a SBF pudesse propor e coordenar uma discussão nacional sobre as licenciaturas. Sou favorável a um novo currículo mínimo de licenciatura, completamente diferente dos atuais. Só assim poderemos parar de nos preocupar com a assim chamada “reciclagem” dos professores e nos dedicarmos mais à qualidade da formação dos novos profissionais e dos jovens.   
Detalhe do detector CMS no LHC - o maior acelerador do mundo,fruto da Física Moderna [imagens: CERN]

Outra vertente do problema de como ensinar Física Moderna em nossas escolas está no fato de que elas ainda estão formando jovens que concluem o ensino médio com uma visão aristotélica da Física, como mostrei no artigo A queda dos corpos e o aristotelismo: um estudo de caso do vestibular, analisado em a Persistência do Aristotelismo. Na verdade, não é difícil compreender esta tendência, uma vez que o aristotelismo na ciência é uma boa expressão do senso comum, tão predominante em países com alto nível de analfabetismo funcional e científico. Segue-se, portanto, logicamente, a pergunta: como ensinar Física Moderna para alunos que ainda pensam como Aristóteles e sequer compreenderam a Física de Galileu? Há ainda um agravante, como bem disse meu amigo Ruben Aldrovandi ao comentar nosso livro Física Moderna: Origens Clássicas e Fundamentos Quânticos. Para ele, a Física Moderna está “imersa na milenar história dos embates culturais, que foram aos poucos libertando os cientistas do imediato e os inspiraram por caminhos para os quais a experiência cotidiana não serve mais de guia”. Logo, o desafio é: os alunos ainda pensam em conformidade com o senso comum, mas este não serve para se compreender ou estabelecer analogias em Física Moderna. Acho que este ponto deve ser, na verdade, a base de qualquer reflexão crítica de como introduzir conceitos contemporâneos da Física no ensino médio. Sem conhecermos a realidade de nossos alunos, é difícil construir propostas eficazes. Claro que, com o tempo, as coisas termalizam e se acaba chegando a um denominador comum do que ensinar e como fazê-lo, mas meu ponto é que este tipo de processo é sempre muito lento.

Na verdade, a partir da observação do Aldrovandi, diria que a História da Ciência pode ser um instrumento importante em novas propostas de ensino de Física Moderna nas escolas, aliada a bons textos de divulgação científica. Posso citar, como um exemplo, algo que aconteceu comigo. Como já declarei em outra ocasião, minha escolha de fazer Física de Partículas em muito se deve às aulas que tive sobre os modelos atômicos de Thomson, Rutherford e Bohr no ensino médio, todas fortemente calcadas em informações históricas. O detalhe aqui, que não deixa de ter uma ponta de ironia, é que este assunto – que já é um assunto centenário – foi e continua sendo ensinado nas aulas de Química e não de Física, embora sejam modelos físicos do átomo.


Entretanto, quero concluir enfatizando que não acredito em nenhuma mudança em larga escala e a curto ou médio prazo baseada em propostas individuais, por mais louváveis que sejam, sem uma ampla discussão nacional sobre as licenciaturas. Óbvio que isto não deve ser entendido como um desestímulo àqueles que têm trabalhado seriamente em prol do desenvolvimento do ensino de Física e da qualidade do ensino básico desta disciplina. Na pior das hipóteses, daqui a décadas ou séculos se terá convergido para uma forma particular de se ensinar a Física do século XX nas escolas, a exemplo do que aconteceu com a Física newtoniana.

* Francisco Caruso é Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Pesquisador Titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

25 comentários:

  1. Estimado amigo Caruso
    Ótimo esse seu comentário sobre o Ensino da Física Moderna no Ensino Médio. Parabéns. Esta é uma longa discussão que vem acontecendo há várias décadas, inclusive nas LISHEPs. Em minha opinião, será difícil introduzir o ensino da Física Moderna no Ensino Médio pela má formação dos licenciados em Física, em particular da Física Moderna, que já está se tornando Física Antiga, pois a Modernidade na Física começou há mais de 100 anos. Só uma mudança radical da Licenciatura, como você bem destaca, será possível pensar em introduzir o Ensino da Física Moderna-Antiga, para os alunos do Ensino Médio. Essa atitude deve partir do MEC, inclusive revisando os livros textos recomendados oficialmente, que possuem erros gritantes. Dois exemplos em livros que vi de meu neto Lucas: 1) Galileu estudou o movimento pendular, antes de nascer (1552); 2) confusão entre quantidade de calor e energia térmica.
    Um abraço amigo do
    Bassalo

    ResponderExcluir
  2. Olá, adorei esse discurso sobre o ensino de Física moderna. Sou estudante de Física da UFES, e vejo, até mesmo dentro da Universidade pública brasileira a dificuldade do próprio aluno do curso de Física em aprender e dominar e aplicar os conceitos de Física Moderna.
    Na minha universidade, eles tentam adequar o nosso estado à essa nova e desafiadora tarefa de levar o conhecimento da Física do início do século XX (que se extende até os dia atuais) através do vestibular, cobrando esse item nas provas, e forçando as escolas particulares a se moldarem de acordo com o programa de seleção da UFES. (A boa notícia é que consegui reverter esse quadro no Conselho de Ensino Pequisa e Extensão da UFES, mas apenas para o próximo vestibular). Quem sai perdendo com isso é a educação pública, onde os professores que dão aula de Física, em sua maioria, são Engenheiros, Biólogos, Agrônomos...(que não estudaram sobre o assunto) dificultando mais ainda a transmissão desse conhecimento.
    Em conjunto dessa revolução na educação básica, é preciso pensar em que rumo está indo também a formação do profissional de educação em Física, pois as IFES não estão dando conta de garantir as condições necessárias de assistência estudantil a nós (na minha universidade há um programa de auxílio motivacional aos estudantes das licenciaturas, dado no início do semestre, um valor que gira em torno de R$ 150,00) principalmente à aqueles que vêm do interior, que voltam para sua terra natal para exercer a função de educador(que é o meu caso).
    Teria muita coisa para acrescentar, mas se fosse escrever mesmo, teria que pedir um espaço no Blog para publicar...
    Grande abraço.


    Igor Bellucio Santos

    ResponderExcluir
  3. Salve Caruso,
    Mais uma vez um texto excelente.Concordo plenamente com vc!


    Abracos do seu amigo,
    Sandro Fonseca

    ResponderExcluir
  4. Olá, professor Caruso. Fui seu aluno de Física Moderna (Estrutura da matéria I) e sou agora calouro no mestrado da UERJ. Achei muito intessante o que disse, principalmente quanto à cautela no tocante a como deveria ser introduzida a física moderna no ensino médio. Gostaria de dar minha opinião.
    A física que aprendi no ensino médio se restringiu a MRU, MRUV, MCU, dilatação térmica e uma leve introdução a ótica e eletromagnetismo. Eu só me interessei por física por causa de um professor no segundo ano que me mostrou o lado instigante da física, completamente diferente do lado massante ensinado em sala de aula. Eu acho isso bastante triste. A introdução de mais conteúdo ("mais coisa", como costumo ouvir) no ensino médio, porém, causa alarde. No entanto, se trataria de uma reformulação que condiga mais com a realidade atual e que ao invés ocupar mais os alunos talvez fizesse a física deixar de ser um fardo para muitos. Além da física Newtoniana, obviamente muito importante, acho um crime não serem transmitidas ao menos noções de relatividade, visto que esta data do início do século passado e é extremamente relevante. Por exemplo, com certeza muitos alunos ficam curiosos "com o tal do LHC que quer achar um tal de Higgs". Seria interessantísmo aproximá-los dessa realidade. Atualizando os conceitos do ensino médio de forma adequada certamente não só prepararia mais os alunos como também instigaria cada vez mais deles a seguirem a profissão.

    Um abraço,

    Gustavo dos Santos Vicente.

    ResponderExcluir
  5. Olá Professor Caruso,
    Seu texto é bem pertinente e oportuno para o momento. Acredito que o problema maior está na formação dos profissionais da área. Nossas Universidades estão sofrendo um processo de sucateamento enorme. Com isso, os laboratórios que deveriam ser bem aproveitados de forma a tornar claro os processos físicos, são colocados de lado. Na realidade o que ocorre é a mecanização do conhecimento, isto é, o aluno (do ensino méido ou superior) não consegue raciocinar o problema, contentando-se apenas em tentar resolvê-lo (hoje em dia, tentar resolver já demonstra grande esforço). Acredito que o ensino de física moderna (e também da física clássica) no ensino médio está atrelado a renovação do método de ensino. Para isso, julgo fundamental a criação de laboratórios de física tanto nas escolas do ensino médio quanto nas Universidades. A física precisa ser mostrada ao aluno, despertar seu interesse. E, para isso, o laboratório presta seu serviço, aguçando a curiosidade.
    Um grande abraço,
    Jordan Martins.

    ResponderExcluir
  6. Felipe P. Poulis1 de julho de 2010 19:33

    Olá!
    Meus parabéns pelo seu texto! Afinal, qualquer proposta no sentido de reformular o ensino de física tornando-o mais atual ou interessante para os alunos é sempre muito bem-vindo. No entanto, algo que acho bastante curioso é que, às vezes, até mesmo na graduação, certos tópicos elementares da física moderna são deixados de lado. Por exemplo, fiz bacharelado na UFRJ entre 2001-4 e, caso não fosse minha iniciativa de cursar "Introdução a Teoria da Relatividade" (por ser eletiva), o único conteúdo que veria do assunto seria correspondente a um mês (em "Física IV") durante toda a graduação! Fico impressionado como um assunto tão abrangente para a física moderna pode ser tão ignorado no curso de bacharelado. Não me surpreende que no ensino médio seja da mesma forma. Muito embora concorde que é algo a ser revisto.

    ResponderExcluir
  7. Prezado Prof. Caruso,

    Excelente texto. Demonstra toda a nossa dificuldade em mudar paradigmas pseudo-científicos que permeiam o ensino médio e, mais particularmente, o ensino das ciências em geral. Além da quebra de pensamentos dogmáticos e aristotélicos, a mudança no ensino médio se dará, muito provavelmente, quando a relação ensino/vestibular também mudar.
    Ou seja, quando a Física Moderna entrar de vez em nossos currículos teremos que ensiná-la aos jovens, e não ocorrerão mais desculpas como hoje. Professores terão que se atualizar, e mesmo a divulgação científica será incrementada.

    Parabéns por mais este belo texto!
    Abraços do amigo,

    Adílio Jorge Marques.

    ResponderExcluir
  8. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por todos os comentários, a começar pelo do meu grande amigo Bassalo que, no Brasil, é a pessoa que mais produziu material escrito útil tanto para a divulgação científica quanto para dar suporte a novas propostas de ensino de Física. Igor tem toda razão em apontar que o exame de vestibular não é a instância para se "impor" a Física Moderna ao ensino médio, assim como ao enfatizar o despreparo das nossas Graduações. Aliás, neste sentido vai o comentário do Felipe que coloca o quanto poderia ser mais atualizado o currículo universitário de Física. Eu me formei na UERJ em 1980 e a última coisa que estudei na graduação foi a equação de Dirac! Assim, quando voltei do doutorado na Itália, lutei muito para implementar, junto com o saudoso Prof. João Salim Miguel e tantos outros colegas, a grande reforma curricular pela qual passou o Instituto de Física da Uerj no início da década de 1990, na qual o conteúdo era de novo valorizado, tanto para a licenciatura quanto para o bacharelado. Infelizmente, muito do espírito daquela reforma foi se deteriorando ao longo do tempo, com pequenas mudanças, mas que representam um retrocesso. Por outro lado, essa enorme reforma não serviu de paradigma para outras IEE, embora muitos colegas reconheçam a necessidade de tal reforma. Já o Gustavo toca em outra questão relevante: a incapacidade dos professores em conseguir motivar os jovens para o aprendizado da Física. Quanto à questão de oferecer conteúdo da "Física de fronteira" para esses professores e jornalistas, Santoro e eu, desde 1993, temos organizado as LISHEP com uma sessão exclusivamente dedicada a este público e a licenciandos. Por último, não poderia deixar de dizer que concordo plenamente com o Jordan, quando ele diz que a Física é uma ciência experimental e deveria ser ensinda como tal. Que maravilha seria se as escolas tivessem laboratórios! O importante é que consigamos sensibilizar um número crescente de pessoas da nossa comunidade em torno da discussão da qualidade do ensino básico. Abraços a todos, Caruso.

    ResponderExcluir
  9. Olá Caruso,

    aproveitando esse bonde gostaria de acrescentar que vejo várias extrapolações descrevendo o Brasil como uma grande potência no futuro. Oque de fato pode acontecer do ponto de vista pontual, com a provável profusão de matéria-prima que temos e estamos descobrindo, mas não de forma sustentável, não no sentido usual do termo, no sentido da preparação de nosso povo pro mundo moderno. Analisando com mais cuidado esse conceito, simplesmente observando a história, vemos uma grande correlação de desenvolvimento com investimento em Física atual (Newton a sua época, física quântica na nossa). Neste cenário é realmente imprescindível duas ações: a atualização no currículo de ensino médio, atrelado a investimento em laboratórios e divulgação de Física moderna pra população em geral. Além de um crescimento sustentável, redefinido acima, ganhamos de brinde a inclusão de grande parte da população que no afã de vivenciar a magia da natureza acaba apelando pra pensamentos esotéricos. O CBPF está inciando uma ação determinante na divulgação científica através de projetos como o Laboratório Didático e PROFCEM. Pense globalmente, aja localmente.

    Um abração,

    Massafferri

    ResponderExcluir
  10. Caro Massa,

    obrigado pelos comentários. Só gostaria de reiterar a posição do final do artigo de que os problemas não devem inibir ações individuais ou globais. Talvez você não saiba, mas este Laboratório Didático do CBPF foi montado com os equipamentos que comprei quando era coordenador da Pós-Graduação e do Provoc, na gestão do Amós. Todos voltados para o ensino de Física Moderna. Já naquela época, se faziam experiências de Física Moderna com alunos do Provoc, como foi o caso de alunos do Joffily, Gilvan e Nilton Alves. Sempre que há interesse e espaço, faço minha parte meu amigo. Aquele abraço, Caruso

    ResponderExcluir
  11. Lí seu artigo. O argumento de que não se pode interpretar o cotidiano com idéias pretéritas e que isso na física é fatal, é irretorquível. O problema de levá-lo à prática é o de enfrentar a conspiração sistêmica contra qualquer tentativa de racionalizar o cotidiano. O sistema sobrevive através de fantasias para as quais faz falta a assimilação acrítica e nada melhor que a ordenação aristotélica para induzir a acomodação às perversões inflingidas aos despreparados cidadãos. Todo sofrimento é assimilado em nome da busca do lugar de cada um, onde a fantasia teria finalmente plena realização. De qualquer modo sou favorável ao que entendi ser parte de sua mensagem: se não dermos o primeiro passo jamais caminharemos em direção à solução. Parabéns pelo artigo. Abraços. Alfredo

    ResponderExcluir
  12. Prezado prof. Caruso e demais leitores,

    Muito bacana o seu post!

    Como blogueiro científico, com muita "Física nas veias", e como autor de material didático de Física Moderna, sou bastante "suspeito" em defender o ensino da Física do século XX já no ensino médio.
    Mas, deixo aqui o meu depoimento prático: antes mesmo do meu livro ser publicado, já ensinava conceitos fundamentais de FM nos meus cursos de Astronomia e percebia o quanto os alunos curtiam a ideia! Posso garantir que a FM funciona muito bem! E é muito estimulante pros jovens! E, sendo assim, fantástico para nós professores. Quem é que não quer trabalhar com turmas motivadas?
    Eu recomendo FM! E garanto: só faz bem!

    Abraços
    ______________
    Em tempo: há praticamente um mês também bloguei sobre ensino de FM... aqui.... http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/arch2010-06-06_2010-06-12.html#2010_06-07_18_11_38-7000670-0

    ResponderExcluir
  13. Prezado Caruso,

    boas reflexões sobre um tema importante. Não me atrevo a tecer comentários técnicos sobre a questão porém concordo que já está mais do que na hora de pensarmos em maneiras de introduzir conceitos de Física Moderna no Ensino Médio. Até por que muito da assim chamada Física Moderna já é bem "idosa" não é mesmo?

    Abração

    Luis da mota

    ResponderExcluir
  14. Eu me interesso muito sobre essa questão e gostei muito de seu texto. Concordo que na graduação há problemas relacionados ao ensino da Física Moderna, eu mesma estou passando por isso (estou no último ano da graduação, na UNESP, campus de Guaratinguetá). Por exemplo, vi "algum conteúdo" da Teoria da Relatividade Especial em um mês no segundo ano!
    Concordo com prof. Dulcídio, os alunos realmente se interessam pelos tópidos da Física Moderna. Pela minha própria experiência como aluna e como professora! Que pena desperdiçar essas oportunidades únicas para fazer o aluno realmente se interessar por Física...
    Como já disse, tenho muito interesse nessa discussão. Inclusive estou trabalhando o meu TG em cima dessa proposta! A minha ideia é investir em mostrar como a física muda a vida cotidiana do aluno... através das surpreendentes tecnologias a que temos acesso atualmente, que seriam impossíveis não fosse todo esse desenvolvimento da Física no último século. Infelizmente a grade curricular do meu curso não me preparou aumentando minha compreensão de como funcionam essas tecnologias (bem, talvez isso seja mais o objetivo de um curso de engenharia...), me resta "correr atrás" desse conhecimento e criar estratégias para repassar isso para a garotada. Espero poder contribuir de alguma forma como professora/pesquisadora nesse cenário!

    ResponderExcluir
  15. Gostaria de agradecer os comentários do Dulcídio, que nos traz sua importante experiência, do Mota, diretor do Instituto de Física da Uerj e da jovem formanda de Guaratinguetá, por seu entusiasmo. Este é sem dúvida um ingrediente que anda em falta em muitos dos que estão se preparando para ensinar Física. Finalmente, ao meu caro amigo Alfredo, cujos comentários pertinentes, que vão muito além do tema que abordei, mas que permeiam todas as relações sociais e, portanto, também as culturais. Seu texto foi um convite à reflexão. Grato a todos, Abraços, Caruso

    ResponderExcluir
  16. Olá prof. Caruso

    Parabéns pelo excelente texto e por contribuir para que a física moderna esteja presente e viva nas salas de aula do ensino médio! Aproveito para divulgar algumas contribuições nesse sentido. Acesse o blog do livro Física Moderna Experimental:

    http://fisicamodernaexperimental.blogspot.com/

    Um Abraço

    ResponderExcluir
  17. Moacir Cezar ( moacir.cezar@hotmail.com)6 de agosto de 2010 23:03

    Parabéns, o senhor foi feliz em seu comentário.

    Sou Bacharel em Física pela UFES e leciono no Ensino Médio há 10 anos, entendo a restrição de um licenciado em Física para falar de "Física Moderna".
    O modelo estabelecido e as atividades avaliativas e de laboratório teem de ser revistas na Universidade.

    Um aluno é desmotivado, se seu professor é inseguro ao ensinar. Todo mundo gosta de Ciência e de Arte, mas não foi devidamente apresentado!

    ResponderExcluir
  18. Caro Moacir,

    você tem toda razão. O pior legado da nossa Universidade é formar esses professores inseguros, que trabalharam 30 anos e, nesse tempo, quantos alunos passarão por suas mãos? Quantos não serão "devidamente apresentado" a Ciência? Por isso, só acredito em reforma do Ensino acompanhada de uma profunda reforma das Licenciaturas e dos planos de carreira dos professores. Muito obrigado por seu comentário! Abraço, Caruso

    ResponderExcluir
  19. Olha companheiros,

    acho o seguinte. Importante sim, não só no ensino médio ou na educação básica em geral, mas também nos cursos superiores, se ter uma estrutura curricular atualizada, em particular importante a idéia de se ter FM no EnsMédio. Problema (como apontou Bassalo): estamos preparados? nossas licenciaturas estão correspondendo? FATO: A física clássica já é "maltratada" no ensino médio (como também disse Bassalo acerca dos erros gritantes de nossos livros didáticos), imagine o q deve acontecer se a FM for tratada no ensino méd nas condições atuais...
    O quadro é simplesmente desesperador: ja vi colegas comentarem nas universidades: ah, esse pessoal do ens med ensina mal, usa livros inadequados...Mas pergunto: o que as universidades estão fazendo para mudar isto?? se a exigencia de capes, cnpq etc é podutividade e portanto pós grad, publicar no PRL etc..., educação básica não está no script... De forma semelhante ao comentário do Bassalo, fico desesperado sabendo que a escola de minha filha de 15anos adota um livro notadamente ruim e a cada edição fica pior...(esses Bonjornos da vida, que talvez nem tenham culpa por não saberem fazer direito, Ramalho etc. que só sabe direcionar o livro pro vestibular do ITA..., apresentando mal os conceitos), difícil encontrar uma escola que esteja usando um livro do estilo da Beatriz Alvarenga, po exemplo. Acho mais importante frisar que uma turma de ensino médio típica é (e deve, no meu entender pedagógico) ser heterogênea (alguns vão para medicina, outros para artes e música, outros para direito, outros psicologia, uns poucos vão para engenharia e ciencias da natureza e matemática) e isso deve ser levado em conta para definir COMO o ensino de física na educação básica deve ser desenvolvido, mas não é levado em conta. O que observamos na realidade: O professor de física do ens médio, consciente ou inconscientemente, transforma a aula de física (CLÁSSICA) numa aula de MATEMÁTICA, e aí o aluno tem, além das aulas de matemática, aulas de física com cara de matemática. Aí estão os desafios. Não sei como enumerar alternativas, mas que deve partir de ações políticas e acadêmicas no âmbito das universidades e das escolas. Porque o MEC (tem tantas comissões técnicas bem preparadas lá..) não tomam mais rigor em relação ao livro didático, por exemplo?? Acho que é porque não quer, não sei como é a relação do MEC com as Editoras...Deviam começar por aí. Bons livros podem não ser suficientes, mas com certeza são necessários e se esse requisito não é satisfeito, tudo cai por terra como já está. Lamentavelmente...

    ResponderExcluir
  20. Interessante, este blog da escola do cbpf só aceita publicar aquilo que lhe agrada...
    Fiz comentarios e (até agora) não foi aceito,
    e meus comentarios foram suaves, apresentando alguns desafios a serem superados no ensino de fisica, comparados com sertos embates que vejo por aí na comunidade. Lamentável isto, nada pluralista...

    ResponderExcluir
  21. Caro Anônimo,

    não haveria motivos para não publicar seu comentário. Apenas não o vimos antes, pois, como apontamos no último post, as atividades do blog ligadas à VIII Escola estão encerradas e, por isso, o acessamos com menor frequência.

    É uma pena, contudo, que você não tenha se identificado. Estamos abertos para toda sorte de opiniões, não haveria necessidade de anonimato.

    Agradecemos seu comentário. Até breve.

    ResponderExcluir
  22. Eu, Wilson Hugo Cavalcante Freire era o anônimo e me retrato aqui publicamente em relação ao comentário pedindo desculpas e, ao mesmo tempo, agradeço. Me simplesmente porque imaginei que se eu selecionasse outro perfil, por ex, conta do google, teria que preencher um longo cadastro, só isso.
    Mas deixo registrado a parte principal de meu comentário da msg anterior: Bons livros, embora não represente condição suficiente, constitui condição necessária para um bom ensino de qualquer área. Em relação ao ensino médio acredito que uma parte (necessária!) da solução começa com o livro didático... importante, portanto, uma política nesta direção...
    Wilson Hugo C Freire (Dr em Fis p/ UFPB, 2004), Trabalho no Dep de Matemática da Universidade Regional do Cariri, uma das 3 estaduais do Ceará.

    ResponderExcluir
  23. Prezado Wilson,

    obrigado por seu comentário. Você tem toda razão. Sem bons livros, o problema do ensino não tem solução. E mais, precisamos preparar os futuros professores para serem capazes de escolher criticamente o que lhe serve e o que se adapta melhor a seus alunos. Já discutimos isto com o Bassalo e a Beatriz Alvarenga na Lishep de 1993 e muito pouco se fez no país. Mas como você bem disse, isto ~só não basta. Há anos venho tentando mobilizar as pessoas sobre a importância de uma reforma profunda nas licenciaturas, mas a reação é sempre muito grande.
    Quem sabe não me animo e escrevo algo sobre os livros de Física?
    Um forte abraço e continue resistindo!!!
    Caruso

    ResponderExcluir
  24. Obrigado Prof Caruso. Aqui é o wilson. De fato, é preciso resistir. Na univ que trabalho temos um núcleo de pesquisa em ensino de física, com o qual mantenho contato, tem um professor aqui que passou no concurso recentemente que está em vésperas de defender sua tese em ensino de ciencias, e estamos vendo também esta possibilidade de fazer um material ou livro, quem sabe, com o objetivo de contribuir para uma melhora...é isso, acho que não custa tentar
    Abraço e cordiais cumprimentos
    Wilson Hugo C Freire.

    ResponderExcluir
  25. Legal, Wilson,
    parabéns pela iniciativa!
    Grande abraço e continue resistindo.
    Caruso

    ResponderExcluir

var gaJsHost = (("https:" == document.location.protocol) ? "https://ssl." : "http://www."); document.write(unescape("%3Cscript src='" + gaJsHost + "google-analytics.com/ga.js' type='text/javascript'%3E%3C/script%3E"));